SONHOS

O Poder dos Sonhos

Não seja empurrado pelos seus problemas. Seja impulsionado pelos seus sonhos!



sábado, 24 de novembro de 2012

Saudades - Autor desconhecido


Há quem sinta saudades 

Das pessoas que estão longe. 

Eu sinto saudades 

Das pessoas que amo. 

Minhas saudades 

Não podem ser medidas 

Pelos quilômetros da distância, 

Mas tão somente, 

Pela intensidade do amor. 

Sinto saudades 

De quem acabei 

De deixar a cinco minutos. 

De quem acabou 

De me sorrir a poucos instantes. 

De quem me fez sentir 

A vida dentro e fora do meu ser 

De modo pleno e ao mesmo tempo simples 

Há poucos segundos. 

Entendo as saudades 

Como alimentos 

Do reencontro, 

E assim desejo 

Continuar a compreendê-las, 

Enquanto as lembranças 

De quem amo, 

Permanecerem verdadeiras 

Em mim. 

Há quem sinta saudade 

Das pessoas que estão longe... 

Eu sinto saudade 

Das pessoas que amo... 


Sentir saudades de alguém, 

é entender que só encontramos nosso sentido, 

quando enfeitamos nossa vida 

com as lembranças deste alguém. 

Autor desconhecido

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Passado - Fernando Pessoa


Passado
"Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto, 
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão. 
A ave passa e esquece, e assim deve ser. 
O animal, onde já não está e por isso de nada serve, 
Mostra que já esteve, o que não serve para nada. 
A recordação é uma traição à natureza, 
Porque a natureza de ontem não é natureza. 
O que foi não é nada, e lembrar é não ver. 


Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!"

Fernando Pessoa

terça-feira, 20 de novembro de 2012

As duas flores - Castro Alves


São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo,no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.

Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.

Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.

Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

Castro Alves

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Noções - Cecilia Meireles


Entre mim e mim, há vastidões bastantes
para a navegação dos meus desejos afligidos.

Descem pela água minhas naves revestidas de espelhos.
Cada lâmina arrisca um olhar, e investiga o elemento que a atinge.

Mas, nesta aventura do sonho exposto à correnteza,
só recolho o gosto infinito das respostas que não se encontram.

Virei-me sobre a minha própria experiência, e contemplei-a.
Minha virtude era esta errância por mares contraditórios,
e este abandono para além da felicidade e da beleza.

Ó meu Deus, isto é minha alma:
qualquer coisa que flutua sobre este corpo efêmero e precário,
como o vento largo do oceano sobre a areia passiva e inúmera…

Cecília Meireles